Fisioterapia
Morte súbita em atletas!
24/10/2004 - 19h09m
Nestes últimos anos vêm ocorrendo mortes repentinas em atletas de corrida, jogadores de futebol e outras modalidades esportivas. As pessoas começaram a ter mais atenção a este acontecimento quando um atleta jovem morreu em pleno jogo de futebol que estava sendo televisionado mundialmente.
Foi comentário em todo o mundo, pois é uma morte rara, inesperada e chocante principalmente por acontecer em um atleta em plena condição física. Nesta 4a feira o povo brasileiro presenciou um fato muito parecido com o jogador do São Caetano, Serginho.
Quem viu a cena não se esquece mais! Mas porque aconteceu isso em um atleta que fazia acompanhamento médico e que tinha uma ótima condição física?
Freqüentemente, a morte súbita em atletas está associada a algum tipo de problema do coração, mas em cerca de 75% dos casos de morte súbita, nem a pessoa e nem a família percebem alguma alteração na saúde do atleta.
Dentro das causas responsáveis para a morte súbita em pessoas com menos de 35 anos, sem sintomas antecedentes, está correlacionado o espessamento das paredes do coração que dificulta o bombeamento do sangue do ventrículo esquerdo para o corpo.
Quando a freqüência cardíaca aumenta na atividade física, os músculos e o cérebro necessitam de mais oxigênio (transportado pelo sangue) para realizar suas funções. Com esta alteração cardíaca o coração não consegue ejetar o sangue, causando alteração no ritmo cardíaco. Torna-se fatal.
Outra causa pode ser a anormalidade estrutural do coração e de seus vasos. Normalmente são congênitas (a pessoa nasce com isso), mas não são muitas vezes aparentes no exame físico. Somente com exames mais específicos poderiam ser percebidas. Mais raramente, fatores inflamatórios, devido as infecções virais que podem causar incapacidade no coração.
Os fatores de risco são:
· Familiares com problemas no coração ou mortes súbitas antes dos 40 anos;
· História anterior de perda de consciência e tonturas durante atividades físicas;
· Palpitação associada aos esforços;
· Eletrocardiograma anormal.
Além dessas informações, antes de praticar uma atividade física mais forte, os locais de prática competitiva devem ser equipados com instrumentos, assistência médica especializada e ambulâncias prontas para qualquer eventualidade.
O esporte competitivo é a superação de limites, mas para ser realizado com consciência precisa de informação e cuidados específicos, tanto para os atletas como para quem participa de alguma forma destes eventos. Mesmo com tudo isso o resultado entre vida e morte ainda é bastante incerto. Já presenciei uma parada cardíaca de uma mulher de 60 anos que caiu em frente ao hospital. Sorte ou azar? O atendimento foi quase imediato com aplicação de medicamentos na veia e todos os procedimentos necessários. Mesmo com esta sorte de ter caído em frente ao hospital a senhora faleceu.
Seguindo aquele velho ditado: O importante é competir, O importante mesmo é tentar, tendo consciência de que os resultados muitas vezes não dependem somente das pessoas, mas sim do fluxo da vida, onde a morte faz parte.
Se isso for cumprido podemos entender de forma mais clara que muitas vezes a morte tem que vir simplesmente porque chegou a hora. E fizemos aquilo que deveria ser feito. Cumprimos a nossa missão.
Por Rodrigo R. N. Rizzo (fisioterapeuta, CREFITO - 3/7258)