Fisioterapia

A filosofia da reabilitação

04/02/2005 - 19h07m

Tanto a Fisioterapia quanto qualquer outra prática terapêutica com o intuito de reabilitar o indivíduo tem o objetivo de auxiliar o processo natural de cura. Somente a natureza cura a doença ou a lesão!

A reabilitação realizada deve proporcionar um ambiente interno, orgânico exato para que o próprio organismo possa realizar sua reparação e readaptação.

A reabilitação deve acelerar o processo de cura e adaptação do tecido orgânico para evitar complicação devido à imobilização, adaptação ao ambiente desfavorável (causados por compensações, movimentos e posturas desvantajosas, traumas ...) e a própria tentativa de reparação dos tecidos (visto que as células na tentativa de auxiliar o processo de reparação podem ser mortas pelo ambiente desfavorável no momento da lesão). Por isso o profissional tem que conhecer o ambiente interno, a tentativa de reparação dos tecidos e o que pode auxiliar este processo para normalizar a situação.

A partir daí, o terapeuta tem que observar quais são as vias de acesso mais importantes que devem ser utilizadas para a passagem de informação corporal. Existem diversas vias de acesso como pele, músculos, óssos, cartilagem, ligamentos e a própria interpretação da pessoa pelas palavras, sons e imagens. A escolha da via de acesso e de qual a forma a informação será passada depende do tipo de lesão e muito mais da própria característica individual da pessoa que receberá o tratamento.

Não podemos esquecer das substâncias necessárias para uma boa reparação e do que o individuo tem que fazer para repor estas substâncias naturais.

As lesões, que fazem parte da vida de um individuo, indicam que algo está errado, mas muitas vezes os terapeutas não pensam desta forma ou se pensam, limitam-se ao aspecto físico. É papel do educador e terapeuta perceber os aspectos emocionais que auxiliam o paciente a sofrer lesões assim como identificar a as adaptações fisicas e mentais frente ao estímulo doloroso ou alteração funcional, e deixar claro para o individuo que se ele não modificar seus velhos padrões, as lesões continuarão aparecendo. Normalmente o terapeuta não auxilia o paciente a perceber as causas destes acontecimentos e ao invés de educador e terapeuta, faz papel de destruidor do corpo físico e limitador do desenvolvimento deste individuo. Isso acontece porque as pessoas muitas vezes não enxergam a verdadeira realidade estando coberta por uma camada de ilusão como a supressão das necessidades e prazeres imediatos. Ou seja, só pensam nos resultados e acabam desviando a atenção do processo que ocorre no momento presente, como por exemplo, nossa necessidade de melhorar a dor para voltar o quanto antes para nossa atividade, não dando tempo nem espaço para que a informação da causa da lesão surgisse. Tudo isso pode ser conquistado de maneira rápida também, basta o terapeuta saber entrar nas vias de acesso do paciente e o paciente deixar as vias de acesso abertas para receber a informação corporal e saber lidar com ela da melhor maneira possível.

O sentido das lesões precisa ser compreendido pelo individuo, para que ele possa transformar seu modo de viver. Esta compreensão tem que ser do corpo inteiro, pois não podemos dissociar a mente do corpo ou o corpo da mente. Urge um olhar atento e amoroso do corpo como manifestação visível da mente, e a mente como expressão do modo de um determinado ser individual se comportar e encarar a experiência de viver.

Por Rodrigo R. N. Rizzo (fisioterapeuta, CREFITO - 3/7258)

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