Cultura

Homenagem a Raul Cortez

22/07/2006 - 18h50m

Homenagem: Raul Cortez – vivendo o aqui e o agora

Dia 25 de julho de 2006

"Cada personagem é uma vitória a ser conquistada". Esta frase nos mostra um exemplo de personalidade que sempre soube de sua vocação à arte de representar, o paulistano Raul Christiano Machado Pinheiro de Amorim Cortez. Ainda menino, o descendente de espanhóis que interpretou os mais notáveis papéis de italianos da televisão brasileira, gostava de brincar de ser ator. Na adolescência, Raul trabalhou no cartório do pai, o advogado Rui, que sonhava em ver o filho trilhar passos semelhantes aos seus.

Nesse ínterim, já estudando Direito contra sua vontade, Raul foi convidado por alguns amigos alemães a interpretar o super-herói Flash Gordon em um grupo de teatro amador. Nestes primeiros passos como ator, ele ainda foi funcionário público e dono de uma agência publicitária. Entrou então para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), a convite de Ítalo Rossi e seu primeiro papel foi de figurante na peça "Eurídice", dirigida por Gianni Ratto, ao lado de Walmor Chagas e Cleyde Yaconis. Tempos depois, Raul integrou-se à Companhia Cacilda Becker, fazendo viagens por todo o Brasil e chegando a Europa. Em Portugal, conheceu a atriz Célia Helena, mãe de sua primeira filha, a também atriz Lígia Cortez.

Na década de 60, incorporou-se ao elenco de "Yerma", com Antunes Filho, recebendo o Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante pela Associação dos Críticos de Arte; interpretou o personagem Teteriev na peça "Pequenos Burgueses" e recebeu o prêmio Saci do jornal O Estado de S. Paulo e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo.

Em 1970, recebeu seu primeiro Moliére, o Prêmio Governador do Estado da Guanabara e o Prêmio Embaixada Americana com a peça "Rapazes da Banda". Já com "Greta Garbo acabou no Irajá", conquistou o Prêmio Associação dos Críticos e Governador do Estado de São Paulo, interpretando um homossexual carioca.

O segundo e o terceiro Moliére vieram respectivamente com as peças "A Noite dos Campeões" e "Quem tem medo de Virgínia Woolf?". Durante essa época assumiu o relacionamento com a modelo e atriz Tânia Caldas, com quem teve Maria, sua segunda filha e resolveu aceitar o papel de Manguari Pistolão, um representante do Partido Comunista na peça "Rasga Coração", de Oduvaldo Vianna Filho, que lhe rendeu o quarto Moliére. O quinto veio com a peça "Lobo de Ray-Ban". Uma vez, o crítico teatral Décio de Almeida Prado escreveu para o jornal O Estado de S. Paulo que Raul não merecia um lugar no teatro brasileiro.

Inegável que o teatro fosse sua grande paixão, Raul participou de 28 filmes e se popularizou nas novelas em papéis de grande sucesso, como o bicheiro Célio Cruz, em "Partido Alto", o empresário Herbert Alvaray em "Brega e Chique" e o mordomo Jonas em "Rainha da Sucata". Os papéis de imigrante italiano foram alguns dos mais notáveis: o ranzinza Jeremias Berdinazzi em "O Rei do Gado" (1996) pelo qual recebeu o Troféu Imprensa, e, da Revista Contigo o Prêmio de Melhor Ator e Destaque; em "Terra Nostra" (1999), com o personagem Francesco Magliano, recebeu o segundo Troféu Imprensa.

Para Raul, "o ator tem uma função muito importante, ele é um transformador da sociedade". Ele dizia "viver o aqui e o agora e não olhar para trás". Em sua homenagem, a Cinemateca Brasileira irá exibir, no dia 25/07, dois filmes de sua inesquecível carreira: Vereda da salvação (1964), que foi seu trabalho principal no cinema. Raul interpretou o messiânico Joaquim e ganhou o papel de forma natural, já que havia interpretado o mesmo papel na peça homônima de Jorge Andrade e Lavoura arcaica (2001), no papel de um pai de família hostil e repressivo.

Núcleo de Programação

Apoio: Riofilmes/Polifilmes

 

Sala Cinemateca

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana

próxima ao Metrô Vila Mariana

Maiores Informações pelos telefones: 5084-2177 (ramal 210) ou 5081-2954

Entrada gratuita

 

Programação:

 

dia 25/07 (terça-feira)

 

15h10 Lavoura Arcaica

18h10 Vereda da salvação

20h10 Lavoura arcaica

 

Vereda da salvação, de Anselmo Duarte

Brasil, 1965, 35 mm, PB, 101’

Elenco: Raul Cortez, José Parisi, Esther Melinger, Lélia Abramo

Sinopse: Com o conflito pela posse da terra, os camponeses seguem um líder místico, para quem 'o pecado vai empurrar o ar do mundo e o sofrimento vai indicar a vereda do paraíso'. O fanatismo aumenta e os camponeses não mais conseguem compreender a realidade, sendo levados ao sacrifício.

 

Lavoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho

Brasil, 2001, 35 mm, cor, 165’

Elenco: Raul Cortez, Selton Mello, Juliana Carneiro da Cunha, Caio Blat

Sinopse: Na provinciana São Paulo da década de 40, Pedro é incumbido por sua mãe de trazer André, seu irmão mais novo, de volta para casa. Porém, o rapaz ainda tem as duras lembranças dos motivos que o levaram a sair de casa girando em sua mente: um pai absolutamente repressivo; uma mãe que, de tão terma, chega a ser sufocante; a inveja de Pedro devido à atenção especial que recebe do pai. Estes, porém, não são os únicos motivos que levaram André a se afastar da família. A relação entre ele e sua irmã Ana não se limitou aos comuns sentimentos de afeto trocados entre irmãos. Lavoura arcaica é uma espécie de visita à parábola do filho pródigo. Mas, desta vez, a volta do ente querido causará profundas e inesperadas mudanças na rotina familiar. A partir da história de uma família de imigrantes libaneses no interior do Brasil, são trazidos à tela temas como amor, incesto, prostituição, homossexualismo e reação familiar.

Redação WN / R.Maida

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